
O que começou como um exercício de escuta e expressão dentro da biblioteca escolar se transformou em um movimento literário que já impacta a realidade educacional dos estudantes da Escola de Tempo Integral (ETI) Santa Bárbara, localizada na região sul de Palmas. Na noite desta sexta-feira, 17, a escola foi palco do lançamento de cinco livros escritos por estudantes, resultado de um processo que vai além da escrita: envolve vivência, sensibilidade e coragem para contar a própria história.
A iniciativa integra o projeto ‘Pequenos Escritores, Grandes Histórias’, coordenado pelo professor Uagno Lima, que desde 2023 desenvolve, na unidade, um trabalho voltado à leitura, oralidade e produção textual a partir da escuta criativa. Ele, que também preside o Instituto Brasileiro de Arte e Cultura Regional (IB), conta que a proposta nasceu com o objetivo de incentivar os alunos a se reconhecerem como autores de suas próprias narrativas.

“Nosso foco sempre foi despertar neles o desejo de ler, falar e escrever sobre o que vivem. Hoje no Brasil, a média nacional de leitura gira em torno de quatro livros por pessoa ao ano, na ETI Santa Bárbara esse número é mais que o dobro”, destaca o professor Uágno, que aproveitou a noite para também fazer o lançamento da editora Cerrado Encantado.
“Antes, quem queria publicar um livro infantil no Estado, precisava recorrer a outros lugares. Hoje, por meio do Instituto, criamos a editora Cerrado Encantado, tendo como as primeiras obras publicadas, os livros que nasceram desse projeto aqui na ETI Santa Bárbara e temos outras 23 obras prontas para publicação. Agora buscamos parceiros para ampliar esse sonho e levá-lo a outras unidades”, destaca Uagno.
“Quando o aluno percebe que a própria história pode virar livro, ele passa a se enxergar com mais confiança e propósito dentro da escola. Isso fortalece não só a leitura e a escrita, mas também a autoestima e o protagonismo. É esse tipo de experiência que dá sentido à educação que defendemos”, complementou o diretor da ETI Santa Bárbara, Madian Moreira.

História real
Entre os novos autores está Ana Clara Pacheco, que encontrou na escrita uma forma de lidar com conflitos pessoais. “No começo, nenhuma proposta era aprovada. Eu estava passando por um período difícil com minha irmã e, conversando com minhas colegas, surgiu a ideia de escrever sobre isso. Quando levei ao professor, ele aprovou. Foi assim que tudo começou”, conta.
A emoção também tomou conta da família. A mãe de Ana Clara, Patrícia Pacheco, acompanhou de perto todo o processo e celebrou a conquista da filha. “É muito gratificante ver ela realizando esse sonho. Houve muitas dificuldades, muitas vezes o trabalho era reprovado, mas o professor não desistiu dela e ela também não desistiu. Hoje estamos aqui vendo o livro sendo lançado. É emocionante”, afirmou. O momento ganhou ainda mais significado com a presença dos avós e de um tio da estudante, que vieram de São Pedro dos Crentes (MA) especialmente para prestigiar o lançamento.
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Os jovens escritores e suas respectivas obras são Maria Vitória Rabelo (A Menina que Fala Sozinha), Mariana Menezes e Monica Morais Ursino (A vida Feminina de Mariana e Mônica), Wene Junior (O Xadrez me Salvou mas o Bullying quase me Deu Xeque-mate), Ana Clara Pacheco (O papel da Irmã mais Velha é Suportar a mais Nova) e Ketelyn Sofia (O Animal mais Perigoso do Mundo).
Educação que transforma
Durante o evento, a secretária municipal da Educação, Anice Moura, reforçou o papel transformador da iniciativa. “Eu me realizo ao estar aqui e ver uma educação que, de fato, transforma vidas. Cada história escrita representa um passo na construção de pessoas mais conscientes, sensíveis e protagonistas. Continuem escrevendo, continuem acreditando no poder das suas vozes”, incentivou.
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Também participaram da cerimônia, a vereadora Iolanda Castro, o deputado estadual Jair Farias, o secretário extraordinário de Igualdade Racial e Direitos Humanos, Eduardo Azevedo, a secretária-executiva Pedagógica, Cândida Cecília, os assessores parlamentares da Semed, Belmiran de Souza e Júnio Batista, além de familiares, professores e toda a comunidade escolar, que celebraram juntos não apenas o lançamento dos livros, mas o fortalecimento de uma cultura de leitura e autoria dentro da escola pública.
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