Uma das aves mais raras do mundo foi encontrada no Jalapão

Relatório do Naturatins aponta que pelo menos oito filhotes nasceram no início deste mês no Tocantins. Ninhos estão sendo monitorados por pesquisadores.

Um relatório divulgado pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) indica que houve aumento na população do pato-mergulhão no Jalapão. A espécie é uma das que estão sob ameaça mais crítica de extinção atualmente. O documento cita estudos feitos no Parque Estadual, e publicados em revistas científicas, que indicam o nascimento de pelo menos oito filhotes no dia 4 de julho na região.

O número é significativo porque no último levantamento, em 2019, os pesquisadores encontraram apenas 25 patos em um trecho de mais de 140 quilômetros do rio Novo, considerado um berçário natural da espécie. Há várias iniciativas de conservação que tentam auxiliar na preservação do pato-mergulhão, com pesquisadores inclusive alterando o diâmetro das entradas dos ninhos para evitar que predadores comessem os ovos.

“Os dados publicados são de grande relevância para o desenvolvimento de ações de conservação voltadas à espécie, que está Criticamente Ameaçada de extinção, permitindo ao órgão ambiental, um dos responsáveis pela sua preservação, traçar, definir e adotar estratégias baseadas em dados científicos, para a conservação da espécie no Jalapão”, afirma Marcelo Barbosa, biólogo ornitólogo e mestre em Ecologia de Ecótonos.

Marcelo Barbosa explica que, no ninho haviam 9 ovos, mas um não se desenvolveu, contudo, a fêmea realizou um recorde na quantidade de ovos, em uma mesma postura. Um novo censo da espécie deve ser realizado em agosto para avaliar se as iniciativas de conservação estão surtindo o efeito desejado e novas estratégias.

A população mundial do pato-mergulhão é estimada em cerca de 250 indivíduos. A espécie ocorre em áreas isoladas no estado de Minas Gerais, Goiás e Tocantins. Há ainda registros históricos que apontam a ocorrência dessa espécie no Mato Grosso, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O pato-mergulhão já ocorreu também na Argentina e no Paraguai, onde atualmente encontra-se extinto.

Além de raro, ele é considerado um bioindicador ambiental. Onde há ocorrência dele há, sem dúvida, natureza preservada. Isto porque esta ave só consegue se alimentar e se desenvolver em locais onde existam águas limpas e transparentes, em rios ou córregos encachoeirados, próximo à matas ciliares.

Comentários do Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui