
Com o propósito de transformar a educação por meio do conhecimento e da valorização das identidades brasileiras, o Governo do Tocantins deu início nessa segunda-feira, 30, em Palmas, ao II Encontro Formativo de Educação Antirracista do Tocantins – Educar com raízes, transformar com palavras. Realizada pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), a iniciativa reúne educadores da rede estadual de todo o Tocantins visando fortalecer práticas pedagógicas voltadas à promoção da equidade racial nas escolas.
No primeiro dia da programação, que segue até esta terça-feira, 31, no Colégio Militar do Estado do Tocantins Senador Antônio Luiz Maya, os participantes acompanharam palestras, mesas-redondas e oficinas formativas voltadas à implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais. O encontro integra as ações estratégicas do Governo do Estado voltadas ao cumprimento das metas da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq),
Durante a abertura, o secretário de Estado da Educação, Fábio Vaz, destacou que ao investir na formação docente, o governo oportuniza que a escola pública seja um espaço de transformação social. “A educação antirracista é uma postura diária, é intervenção, é coragem, uma construção coletiva que ocorre nas escolas, capaz de romper ciclos históricos de exclusão. Quando a educação assume o compromisso com a equidade racial, ela devolve pertencimento, fortalece identidades e amplia oportunidades. Por isso, o Governo do Estado investe na formação de professores, para que eles sejam agentes de transformação, levando aos nossos educandos a cultura de paz e de equidade”, enfatizou Fábio Vaz.
Política de Estado
O superintendente de Políticas Educacionais da Seduc, Leandro Vieira, lembrou que a formação integra o Programa de Fortalecimento da Educação, no Eixo Profe Indígena e Poder Afro. Dentre as ações, está também o material disponibilizado para a rede estadual Minha África Brasileira e Povos Indígenas, visando auxiliar no ensino de história e culturas africanas, afro-brasileira e indígena.
“Os dados mostram que 75% da nossa população do Tocantins é negra e hoje o governo dizum basta aos anos e anos de descaso, de injustiças. Essa é uma gestão que tem trabalhado na construção de uma política de Estado, para pagar essa dívida histórica com os povos originários. Hoje, com o nosso material, os estudantes quilombolas e indígenas do Tocantins podem se reconhecer em livros didáticos. Tudo isso faz parte de uma ampla política de território que vem transformando a educação”.
O secretário de Igualdade Racial, Sérgio Roberto Alves, também participou do encontro. “Temos no Tocantins uma política de governo com ações, como esta formação, que mudam comportamentos nas práticas cotidianas. Os educadores trazem a responsabilidade de ser mensageiros dessa educação antirracista”, reforçou.
Literatura, identidade e cultura
Com a palestra “Racismo e Antirracismo na Literatura Brasileira”, o escritor e professor Jeferson Tenório, inspirou o público. Autor de “O beijo na parede” e do romance “O avesso da pele”, vencedor do Prêmio Jabuti, em 2021, Jefersonaborda em sua produção literária temas como racismo, desigualdade social, identidade e diáspora africana.
“A literatura acaba sendo um reflexo da sociedade, às vezes como um espelho da sociedade. A escola é esse lugar de formação de cidadãos e durante os 18 anos que estive em sala de aula tentei formar leitores, porque foi a leitura que transformou a minha vida. Então, é importante que a gente consiga levar essa reflexão do que estamos fazendo na escola, que é justamente esse espaço de resistência e o professor é o protagonista dessa história”, ponderou o escritor.
Práticas pedagógicas e políticas de equidade
Para os participantes, o encontro representou um momento de fortalecimento profissional e troca de experiências. “A formação trouxe reflexões importantes sobre como trabalhar com nossos estudantes desde a alfabetização, para que combatam o preconceito. Saímos daqui mais preparados para desenvolver práticas pedagógicas que valorizem as nossas histórias”, destacou a professora Luana Sibakadi Xerente, da Escola Estadual indígena Kumnkawē, de Tocantínia.
Da região do Bico do Papagaio, a professora Luana Gonçalves, que atua na Escola Estadual de Tempo Integral Oneide da Cruz, em Araguatins, também assegura que a formação permite uma atuação mais efetiva nas ações antirracistas.
“Essa é uma temática pela qual já tenho interesse na minha área de estudo acadêmico e é algo que vivenciamos na sala de aula. Acredito que esses dois dias de formação serão muito relevantes. Voltaremos para as nossas escolas mais empoderados paracombatermos o racismo juntamente com os nossos alunos”, enfatizou Luana.
Programação
A programação segue até esta terça-feira, 31, com oficinas, palestras e mesas redondas no Centro Universitário Católica do Tocantins e na Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) - Campus Graciosa. Será realizada ainda a premiação das escolas vencedoras do Selo Educação Antirracista 2025. A iniciativa reconhece escolas estaduais e municipais comprometidas com a promoção da igualdade racial e o enfrentamento ao racismo no ambiente educacional.
O encerramento contará com a palestra show do grupo Vozes de Ébano, iniciativa artístico-cultural formada por mulheres negras tocantinenses que utilizam música, poesia e teatro como expressões de identidade, ancestralidade e resistência.



